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Como Ser Fonte para a Imprensa: Guia Ético de Mídia Espontânea para Advogados

Por Equipe Congensy · · 7 min de leitura

Como Ser Fonte para a Imprensa: Guia Ético de Mídia Espontânea para Advogados

Advogada em escritório moderno concedendo entrevista sobre temas jurídicos, exemplificando a mídia espontânea na advocacia.

Por que a mídia espontânea é o atalho ético mais poderoso para construir autoridade

Com mais de 1,37 milhão de advogados ativos no Brasil, destacar-se na advocacia tornou-se um desafio diário. Dados de mercado indicam que cerca de 52% dos profissionais possuem menos de uma década de carreira, enfrentando uma concorrência acirrada pela atenção dos clientes. Nesse cenário, ter presença digital deixou de ser um diferencial para virar requisito básico. No entanto, existe uma grande diferença entre produzir conteúdo por conta própria e ser validado publicamente por grandes veículos de imprensa.

A publicidade paga via anúncios patrocinados atrai visibilidade rápida, mas exige investimento contínuo e demanda cuidado redobrado para não ferir o Provimento 205/2021 da OAB. Por outro lado, a mídia espontânea ocorre quando um jornalista convida você para comentar uma nova lei, uma decisão do Judiciário ou um fato relevante do mercado. Quando o seu nome aparece citado em um portal de notícias de credibilidade ou em um jornal impresso, a percepção de valor sobre o seu trabalho se multiplica de forma instantânea.

Essa validação por terceiros funciona como um carimbo de autoridade ética. Como o jornalista selecionou a sua fala de forma editorial, o público não enxerga a matéria como propaganda, mas sim como um ato de utilidade pública. Isso acelera imensamente a construção do seu nome no mercado sem que você precise recorrer a táticas agressivas de autopromoção.

O que a OAB permite e proíbe ao falar com veículos de imprensa

Infográfico comparativo mostrando o que é permitido e proibido pela OAB ao dar entrevistas para a imprensa

A atuação do advogado junto aos veículos de comunicação é devidamente regulamentada. As diretrizes centrais constam nos Artigos 42 e 43 do Código de Ética e Disciplina da OAB (Resolução nº 02/2015), além das disposições do Provimento 205/2021 e da Lei nº 8.906/1994. O objetivo do Conselho Federal é garantir que a imprensa seja utilizada com função pedagógica e social, impedindo a mercantilização da profissão e a captação indevida de clientes.

Para ajudar no seu planejamento de comunicação, veja a tabela abaixo comparando as condutas permitidas e vedadas:

Conduta Permitida pela OABConduta Proibida pela OAB
Conceder entrevistas de caráter educativo, informativo ou instrutivo sobre temas jurídicos.Responder com habitualidade a consultas sobre casos concretos trazidos pelo público leitor.
Explicar o funcionamento de leis, teses pacificadas e decisões judiciais recentes.Debater causa pendente sob o patrocínio de outro advogado na mídia.
Comentar impactos gerais de uma mudança legislativa para a sociedade ou empresas.Promover autopromoção comercial, promessa de resultados ou divulgação de valores de honorários.
Ter o nome e o registro da OAB citados na matéria de forma discreta e profissional.Divulgar listas de clientes ou utilizar tom sensacionalista para atrair novos contratos.

Além dessas regras, o respeito ao sigilo profissional, às regras de segredo de justiça e às diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é fundamental. Jamais expor dados sensíveis ou informações que identifiquem partes sem autorização legal é um dever permanente de quem atua como fonte pública.

Passo a passo para se posicionar como um advogado fonte de notícias

Fluxograma do passo a passo com 5 etapas para o advogado se posicionar como fonte para jornalistas

Ser consultado pela imprensa não é fruto do acaso. Trata-se do resultado de um posicionamento estratégico e de relacionamentos construídos com transparência e profissionalismo. Siga as etapas a seguir para preparar o seu escritório:

  1. Defina seus nichos de especialização: Não tente opinar sobre todos os assuntos jurídicos. Escolha de uma a três áreas específicas de domínio técnico (por exemplo, direito tributário para startups, direito imobiliário ou direito do consumidor digital) para se tornar uma referência indispensável nessas pautas.

  2. Organize sua presença digital no LinkedIn: Jornalistas usam redes profissionais para buscar fontes rápidas. Mantenha seu perfil atualizado com um resumo claro de suas áreas de atuação, um e-mail de contato visível na apresentação e seu número de telefone de fácil acesso.

  3. Monitore as pautas do momento: Fique atento aos assuntos que estão dominando o noticiário nacional e às novas decisões do Judiciário. Ao identificar temas relevantes para o seu nicho, prepare análises objetivas. Se você deseja aprofundar seu conhecimento sobre como selecionar pautas relevantes, leia nosso artigo sobre como postar decisões do STF e STJ sem infringir a OAB.

  4. Desenvolva o pitch de pauta: O pitch é uma sugestão de assunto enviada diretamente para a redação ou para o repórter. Mantenha o texto em no máximo três parágrafos, apresentando o fato atual, a dúvida técnica que ele gera na sociedade e a sua disposição para gravar entrevista ou enviar aspas por escrito.

  5. Respeite o deadline da imprensa: O ritmo das redações é acelerado. Se um jornalista entrar em contato pedindo um comentário para o mesmo dia, responda imediatamente. A agilidade é o fator que define se você será chamado novamente para futuras reportagens.

Estudo de caso: Como transformar um julgamento do STF em citação nos portais de notícias

Para entender a aplicação prática dessa estratégia, analise o seguinte cenário hipotético. Suponha que o STF fixou uma nova tese jurídica alterando as regras de rescisão em contratos de trabalho para determinado setor econômico. A decisão gera grande repercussão, mas o acórdão jurídico é técnico e inacessível para o leitor comum.

O advogado especialista percebe a oportunidade e faz uma síntese didática dos principais pontos da decisão. Em vez de publicar jargões como ementa ou embargos de declaração, ele traduz a mudança para o público em termos claros: o que muda na prática para o trabalhador e para as empresas envolvidas.

Ele envia uma nota curta para repórteres que cobrem economia e direitos trabalhistas nos grandes portais. Ao ler a sugestão de pauta, o jornalista identifica valor e solicita um depoimento para enriquecer a matéria que já está escrevendo.

O advogado envia um comentário objetivo e neutro:

A decisão do Supremo traz previsibilidade contratual para as empresas ao delimitar o teto indenizatório em dispensas coletivas. Por outro lado, exige que os departamentos de recursos humanos revisem imediatamente seus acordos coletivos para evitar passivos trabalhistas futuros.

Observe como a fala não promete milagres, não oferece serviços do escritório e não faz autopromoção. O comentário cumpre perfeitamente o papel informativo exigido pelo Artigo 43 do Código de Ética e posiciona o profissional como uma autoridade incontestável no assunto.

Checklist de segurança ética antes de conceder qualquer entrevista

Checklist de verificação de segurança ética antes de conceder entrevistas à imprensa

Antes de enviar qualquer resposta por escrito, áudio ou gravar uma participação ao vivo, passe sua fala por esta verificação interna de conformidade:

  • O conteúdo da sua exposição possui caráter estritamente educativo, informativo ou instrutivo?
  • Você eliminou qualquer menção promocional, oferta direta de consulta ou divulgação de tabelas de preços?
  • Os dados dos envolvidos no processo e o segredo de justiça foram totalmente preservados, respeitando a LGPD e o sigilo profissional?
  • Sua manifestação evita opinar sobre processos que estão sob os cuidados de outros advogados?
  • O formato da sua identificação inclui apenas seu nome completo, área de atuação e o número de inscrição na OAB, sem títulos acadêmicos inventados ou slogans comerciais?

Se todas as respostas forem afirmativas, sua participação está segura e totalmente alinhada às exigências do Conselho Federal da OAB.

Como reaproveitar suas aparições na imprensa no seu marketing jurídico digital

Uma única aparição na imprensa pode gerar combustível de autoridade para o seu marketing de conteúdo por semanas. Para extrair o máximo valor dessa mídia espontânea de forma ética, adote as seguintes práticas:

  • Divulgue a matéria nas suas redes sociais: Publique a matéria no seu perfil do LinkedIn e no Instagram com tom de agradecimento ao veículo e ao repórter, destacando o tema educativo abordado sem posturas arrogantes.
  • Crie um artigo detalhado no seu blog: Use a matéria jornalística como ponto de partida para escrever um texto mais denso no site do seu escritório. Veja os detalhes de como produzir materiais educativos em nosso guia sobre como escrever artigos de blog autorais.
  • Inclua a seção Na Mídia no seu site: Insira os logotipos dos veículos que já citaram sua análise técnica na página inicial do seu site para reforçar a prova social com visitantes e potenciais clientes.
  • Estruture sua assessoria de comunicação: Caso seu escritório esteja crescendo e necessite de suporte profissional para gerenciar o contato com jornalistas, aprenda a contratar uma agência ou assessoria de comunicação com segurança mantendo o alinhamento com as normas da OAB.
  • Transforme autoridade em convites: O histórico de participações na imprensa atrai o interesse de universidades, eventos jurídicos e associações comerciais, abrindo portas para palestras e novos relacionamentos institucionais.

Perguntas frequentes

O advogado pode pagar para aparecer em matérias de jornais e portais de notícias?

Não, o pagamento para publicação de matérias com intuito de promoção pessoal configura mercantilização e publicidade enganosa, condutas vedadas pela OAB. A imprensa espontânea deve ser estritamente editorial e baseada no valor informativo do tema. Caso haja contratação paga de espaço, trata-se de informe publicitário, devendo vir claramente identificado conforme o Provimento 205/2021.

Posso postar no meu Instagram os prints da entrevista que concedi para a TV ou jornal?

Sim, você pode compartilhar trechos da reportagem ou prints da citação nas suas redes sociais profissionais. É fundamental manter um tom informativo e comedido, evitando legendas triunfalistas, autopromoção exagerada ou promessas de resultado. O foco do post deve ser a relevância do tema jurídico debatido para a sociedade.

O que acontece se um leitor me procurar pedindo consultoria após ler minha citação na imprensa?

Você pode atender essa pessoa normalmente em seu escritório ou canal de atendimento privado. O que a OAB proíbe é responder a consultas jurídicas sobre casos individuais publicamente dentro da matéria ou do programa. O contato posterior iniciado espontaneamente pelo leitor é legítimo e não caracteriza infração ética.

É preciso contratar uma assessoria de imprensa profissional para ser citado como fonte?

Não é obrigatório contratar uma assessoria de comunicação para conseguir espaço editorial. O próprio advogado pode mapear jornalistas do seu segmento, manter um perfil ativo no LinkedIn e enviar sugestões de pauta objetivas por e-mail. No entanto, uma assessoria especializada pode acelerar o processo para escritórios de médio e grande porte.

O advogado pode conceder entrevistas sobre processos judiciais que ele próprio patrocina?

O advogado deve evitar o uso da imprensa para debater causas sob sua condução com intuito de pressão ou sensacionalismo. De acordo com o Código de Ética e o Estatuto da OAB, manifestações públicas sobre casos em andamento devem se limitar a esclarecimentos objetivos de interesse público, preservando o sigilo profissional e os dados das partes envolvidas.

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