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Marketing Jurídico no Instagram: Como Postar Decisões do STF e STJ Sem Infringir a OAB

Por Equipe Congensy · · 10 min de leitura

Marketing Jurídico no Instagram: Como Postar Decisões do STF e STJ Sem Infringir a OAB

Advogada planejando conteúdo de marketing jurídico no Instagram em seu escritório, com celular em mãos e notebook exibindo decisão do STF e STJ.

Produzir conteúdo relevante para as redes sociais é um dos maiores desafios da advocacia moderna. Entre a rotina de prazos, audiências e atendimento a clientes, sobra pouco tempo para planejar o que publicar e como estruturar o seu marketing jurídico no Instagram. É nesse cenário que as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) surgem como uma fonte inesgotável de pautas. No entanto, muitos profissionais hesitam em utilizar esse material por medo de violar as regras éticas da Ordem dos Advogados do Brasil.

A boa notícia é que é perfeitamente possível utilizar esses julgamentos para construir autoridade, educar o seu público e atrair clientes de forma totalmente ética. Para isso, o segredo está em dominar a arte de traduzir o debate jurídico técnico para a realidade prática do cidadão comum.

Por que traduzir decisões do STF e STJ é uma mina de ouro para o seu marketing jurídico no Instagram?

O mercado jurídico brasileiro passa por um processo irreversível de digitalização. De acordo com o anuário Análise Advocacia 2026, expressivos 93% dos escritórios de advocacia do país mantêm perfis ativos nas redes sociais. Esse número, que era de 88% no biênio de 2023 para 2024, revela que a presença digital deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito de sobrevivência no mercado.

Nesse ecossistema, o Instagram se consolidou como o canal mais relevante para a conexão direta com o público. O levantamento do Análise Advocacia 2025 apontou que a presença dos escritórios nessa rede social cresceu 10% nos quatro anos anteriores. Não por acaso, o Brasil ocupa a posição de terceiro país com mais usuários ativos no Instagram no mundo, ultrapassando a marca de 134 milhões de contas. Se o seu cliente ideal está nessa plataforma, o seu escritório também precisa estar.

Para ter sucesso no marketing jurídico no Instagram, contudo, é preciso superar o abismo da linguagem. O cidadão comum e o empresário não buscam acórdãos técnicos ou termos em latim. Eles buscam respostas para os seus problemas diários.

Quando você seleciona uma tese complexa do STF ou do STJ e a explica de forma simples, você se posiciona como um tradutor do direito. Essa capacidade de tornar o complexo acessível é o que gera real percepção de autoridade e confiança, facilitando a decisão do cliente de buscar o seu escritório quando precisar de ajuda profissional. Para quem está começando a estruturar essa presença, vale a pena entender como estruturar um perfil profissional no Instagram para garantir que a sua biografia e posicionamento estejam alinhados a essa estratégia.

O que diz a regra da OAB: Entenda o Provimento 205/2021 e evite sanções

Tabela comparativa mostrando o que é permitido e proibido no marketing de conteúdo jurídico segundo o Provimento 205/2021 da OAB.

A produção de conteúdo jurídico nas redes sociais é amplamente permitida, mas possui limites claros que todo profissional precisa respeitar para evitar processos disciplinares.

"O Provimento 205/2021 do Conselho Federal da OAB é o marco regulatório que rege a publicidade na advocacia, substituindo o antigo Provimento 94/2000. Ele autoriza expressamente o marketing de conteúdo e o impulsionamento pago, desde que as publicações mantenham caráter meramente informativo, ilustrativo, sóbrio e discreto, sem qualquer viés de mercantilização ou captação ativa de clientela."

O ponto mais sensível ao falar sobre decisões judiciais nas redes sociais está no Artigo 4º, § 2º do Provimento 205/2021. Esse dispositivo proíbe de forma categórica que o advogado faça referência ou menção a decisões judiciais e resultados obtidos em processos que ele próprio patrocina ou participa. A única exceção ocorre quando há uma divulgação espontânea do caso pela imprensa tradicional.

Essa proibição existe para proteger a dignidade da profissão e evitar a concorrência desleal. Quando um advogado divulga apenas suas vitórias, ele pode criar no público leigo a falsa impressão de que o resultado judicial é garantido, o que contraria a natureza de meio, e não de resultado, da atividade advocatícia. Por isso, a jurisprudência dos Tribunais de Ética e Disciplina da OAB em todo o país é extremamente rigorosa nesse aspecto, punindo a autopromoção que se utiliza de casos de clientes para atrair novos contratos.

Existe uma confusão comum no mercado sobre uma possível flexibilização dessa regra. Em março de 2025, o Colégio de Presidentes da OAB recomendou que fosse permitida a divulgação de decisões favoráveis dos próprios processos patrocinados, sob critérios regulatórios bastante rígidos. No entanto, em 2026, essa proposta ainda segue em fase de análise pelo Conselho Pleno do CFOAB e não foi integrada à norma. Portanto, a proibição original continua valendo integralmente.

Reforçando esse entendimento restritivo, o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/SP reafirmou, em julho de 2025, que divulgar casos concretos do próprio escritório nas redes sociais configura infração ética, mesmo que o advogado tenha o cuidado de ocultar o nome das partes e o número do processo. Diante disso, a estratégia mais segura e eficiente é focar exclusivamente em notícias de decisões gerais e públicas de terceiros, como os julgamentos de repercussão geral do STF e os recursos repetitivos do STJ.

Passo a passo para traduzir decisões complexas em posts simples

Fluxograma de 5 passos mostrando o método para transformar decisões do STF e STJ em posts didáticos para o Instagram.

Para transformar um acórdão denso em um post que engaja e educa, você deve seguir um método estruturado de simplificação. Veja a seguir o passo a passo para realizar essa transição de forma eficiente no seu cronograma de postagens para advocacia:

  1. Seleção estratégica do tema: Escolha decisões públicas do STF ou do STJ que afetem diretamente a vida do seu cliente ideal. Se você atua no direito do consumidor, busque decisões sobre planos de saúde ou aviação. Se atua no direito de família, foque em regras de pensão ou partilha de bens. A seleção deve priorizar temas de impacto geral, como decisões sobre direito bancário ou novas regras de direito do trabalho, que costumam gerar muito interesse porque afetam a rotina das pessoas.
  2. Identificação da dor ou oportunidade: Pergunte-se qual é o impacto prático dessa decisão na vida de quem lê. O cidadão ganhou um novo direito? Uma cobrança antiga passou a ser ilegal? O foco deve ser sempre a utilidade prática da informação para o seu público-alvo.
  3. Filtro do juridiquês: Elimine termos técnicos processuais. Expressões como "recurso extraordinário provido por unanimidade" ou "decisão monocrática rescindível" devem ser substituídas por explicações diretas, como "o tribunal decidiu a favor de quem teve o voo cancelado" ou "a regra agora mudou para todos os contratos".
  4. Estruturação do gancho (Hook): O primeiro slide do seu carrossel precisa fazer o usuário parar de rolar a tela. Use títulos que conectem a decisão a uma situação do cotidiano, gerando curiosidade imediata. Evite títulos genéricos como "Informativo Semanal" ou "Decisão Importante" e prefira ganchos baseados em perguntas diretas.
  5. Call to Action (CTA) ético: Finalize o post convidando o leitor a interagir com o conteúdo de forma informativa, sugerindo que ele salve o post para consultar mais tarde ou compartilhe com quem precisa saber do assunto.

Exemplo prático: Do acórdão técnico ao carrossel do Instagram

Imagine que o STJ acabou de publicar uma decisão definindo que as companhias aéreas devem indenizar passageiros em casos de cancelamento de voo sem aviso prévio de, no mínimo, 72 horas. Em vez de publicar uma foto estática com o texto "REsp 1.234.567 julgado pela Terceira Turma do STJ", o que afastaria qualquer leitor leigo, você pode estruturar um carrossel didático de quatro slides.

No primeiro slide, que funciona como a capa, o título deve ser direto e focado no problema do cliente: "Seu voo foi cancelado em cima da hora? Veja o que o STJ decidiu sobre o seu direito à indenização". Esse formato de pergunta gera identificação imediata com quem já passou por essa situação incômoda.

No segundo e terceiro slides, que formam o miolo do conteúdo, você explica a regra de forma simples: "O Superior Tribunal de Justiça definiu que as companhias devem avisar sobre alterações com pelo menos 72 horas de antecedência. Se o aviso ocorrer depois disso e causar prejuízos, a empresa é obrigada a indenizar o passageiro, exceto em casos de força maior comprovada". Aqui, você traduziu o conceito de responsabilidade civil objetiva e dever de informação sem citar os artigos do Código de Defesa do Consumidor de forma maçante.

No último slide, você insere o fechamento ético. Em vez de escrever "Fale com um advogado para processar a empresa", o que violaria as regras de captação, você escreve: "Você sabia dessa regra de antecedência? Salve este post para não esquecer os seus direitos na sua próxima viagem ou compartilhe com um amigo que viaja muito". Esse formato educa, gera engajamento orgânico e respeita as diretrizes da OAB.

O que o advogado PODE e NÃO PODE postar sobre decisões judiciais

Para consolidar o seu entendimento sobre o que advogado pode postar, a tabela abaixo apresenta um comparativo direto entre as condutas recomendadas e aquelas que violam o código de ética ao tratar de decisões judiciais nas redes sociais.

Prática Recomendada (Pode)Conduta Proibida (Não Pode)
Divulgar tese jurídica fixada pelo STF ou STJ em caso de repercussão geral de terceiros.Divulgar a vitória obtida pelo próprio escritório em um processo específico.
Explicar o impacto prático de uma nova lei ou decisão judicial para a sociedade.Prometer que o mesmo resultado de um julgamento se aplicará ao caso do leitor.
Utilizar linguagem simples, didática e acessível para o público leigo.Utilizar termos excessivamente técnicos que dificultem a compreensão do cidadão.
Inserir links oficiais dos portais de notícias do STF ou STJ para complementar o post.Publicar prints de petições, sentenças ou documentos internos de processos do escritório.
Convidar o leitor a salvar, curtir ou compartilhar a informação educativa.Fazer chamadas diretas para consulta ("fale conosco", "agende sua consulta agora").

Ao criar as suas artes e layouts para essas publicações, preste atenção também aos aspectos visuais. Evite cores berrantes ou elementos que descaracterizem a sobriedade da profissão. Conhecer os erros de design que afetam a credibilidade do seu perfil ajuda a garantir que a sua identidade visual transmita a seriedade que a advocacia exige.

Checklist de conformidade ética antes de publicar o seu post

Antes de clicar no botão de publicar no seu Instagram, faça uma revisão rápida do conteúdo utilizando este checklist prático de conformidade ética:

  • A decisão é de terceiros? Certifique-se de que o caso analisado é público e não envolve nenhum cliente atual ou antigo do seu próprio escritório.
  • O tom é estritamente informativo? Avalie se o texto busca educar o leitor ou se possui trechos que sugerem autopromoção exagerada ou mercantilização.
  • A informação está atualizada? Confirme se a decisão do STF ou STJ já transitou em julgado ou se ainda cabe recurso que possa alterar o entendimento apresentado.
  • Não há promessa de resultados? Garanta que o texto não induza o leitor a acreditar que a vitória judicial em um caso semelhante é garantida para a situação dele.
  • A identidade visual é sóbria? Verifique se o design do post respeita a discrição exigida pela OAB, evitando excesso de cores chamativas ou apelo estritamente comercial.

Seguindo essas diretrizes, você conseguirá transformar as novidades dos tribunais superiores em um motor de crescimento para o seu perfil no Instagram, construindo uma marca jurídica forte, respeitada e totalmente segura contra sanções éticas.

Perguntas frequentes

Advogado pode postar resultado de processo no Instagram?

Não, o advogado não pode postar resultados de processos que ele próprio patrocina no Instagram. O Artigo 4º, § 2º do Provimento 205/2021 proíbe expressamente a divulgação de decisões e vitórias judiciais particulares nas redes sociais, mesmo que os dados das partes sejam ocultados. O profissional deve focar na divulgação de decisões gerais de terceiros e de interesse público.

O que diz o Provimento 205 de 2021 da OAB sobre marketing digital?

O Provimento 205/2021 autoriza a realização de marketing de conteúdo jurídico e o uso de impulsionamento pago nas redes sociais. A norma exige, contudo, que todas as publicações tenham caráter meramente informativo, ilustrativo, sóbrio e discreto. Ficam proibidas práticas mercantilistas, promessas de resultados e captação ativa de clientes.

Como divulgar decisões favoráveis do meu escritório sem infringir a OAB?

A forma mais segura de abordar o tema de uma decisão favorável do seu escritório é transformá-la em uma explicação teórica e geral, sem mencionar que o caso foi ganho por você. Você deve explicar a tese jurídica aplicada de maneira abstrata, como se estivesse comentando uma mudança na jurisprudência, sem fazer qualquer alusão ao seu processo ou ao sucesso do seu escritório.

Posso postar notícias do STF e STJ no perfil do meu escritório de advocacia?

Sim, você pode e deve postar notícias sobre decisões do STF e do STJ no perfil do seu escritório. Como esses julgamentos envolvem casos públicos e de terceiros, eles servem como excelente material educativo para o público. Certifique-se apenas de traduzir a linguagem técnica para um formato simples e manter o tom informativo.

Como fazer produção de conteúdo jurídico de forma ética no Instagram?

Para produzir conteúdo ético, foque em educar o seu público sobre direitos, deveres e novidades legislativas, sem induzir o leitor a litigar ou contratar os seus serviços. Use títulos informativos, evite promessas de ganho de causa e encerre as publicações convidando o usuário a interagir de forma simples, como salvar ou compartilhar o post.

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